Categoria Direito Imobiliário

Carta do Tribunal: o que fazer?

Receber uma carta do tribunal pode causar ansiedade, sobretudo quando a pessoa não sabe se se trata de uma simples notificação, de uma citação, de uma penhora, de uma convocatória para audiência ou de uma decisão judicial. Muitas vezes, o…

Terrenos em RAN/REN: o que confirmar antes do CPCV?

Terrenos em RAN REN

Comprar um terreno pode parecer uma decisão simples quando a localização, o preço e a dimensão parecem adequados. No entanto, quando o terreno está inserido em RAN, REN ou noutras condicionantes territoriais, o CPCV deve ser preparado com especial cuidado. A Reserva Agrícola Nacional e a Reserva Ecológica Nacional podem limitar a construção, a alteração do uso do solo, a realização de obras, a instalação de infraestruturas ou a valorização futura do terreno. Por isso, antes de assinar, é essencial confirmar se o uso pretendido é juridicamente possível. Num contrato promessa compra e venda, a falta de verificação destas condicionantes pode expor o comprador à perda do sinal, à impossibilidade de construir ou à aquisição de um terreno que não serve o objetivo pretendido. A análise deve ser feita antes da assinatura e não apenas antes da escritura.

Estrangeiros a comprar casa em Portugal: CPCV

Estrangeiros a comprar casa em Portugal

Na compra de casa em Portugal, o CPCV é o momento em que se definem as principais condições do negócio antes da escritura, incluindo preço, sinal, prazos, financiamento, documentação do imóvel e consequências em caso de incumprimento. Em Portugal, a compra de imóveis por estrangeiros é permitida, mas isso não significa que o processo seja simples ou que uma minuta genérica proteja adequadamente o comprador. Quem vive fora do país pode enfrentar dificuldades adicionais: obter NIF, abrir conta bancária, validar documentos, assinar à distância, compreender impostos, confirmar a situação legal do imóvel e acompanhar prazos. Por isso, o contrato promessa compra e venda deve ser adaptado à situação concreta do comprador estrangeiro. O objetivo não é apenas reservar o imóvel, mas garantir que a compra pode chegar à escritura com segurança jurídica e sem surpresas evitáveis.

CPCV com procuração: requisitos, riscos e como validar poderes

CPCV com procuração

Celebrar um CPCV com procuração permite que outra pessoa assine o contrato-promessa em nome do comprador ou do vendedor. Esta solução é frequente quando uma das partes vive no estrangeiro, está impossibilitada de comparecer, pretende delegar o processo num familiar ou profissional ou precisa de assegurar a assinatura dentro de um prazo curto. No entanto, não basta apresentar um documento com o título “procuração”. É necessário confirmar a identidade do representado e do procurador, a forma do documento, os poderes efetivamente concedidos, a sua validade e a eventual existência de limitações, revogação ou substabelecimento. Num contrato promessa compra e venda, uma procuração insuficiente pode criar dúvidas sobre a vinculação da parte representada, comprometer o sinal e impedir a celebração da escritura. Por isso, os poderes devem ser verificados antes da assinatura e antes da entrega de qualquer quantia.

Compra de imóvel em compropriedade: como estruturar o CPCV

compra de imóvel em compropriedade

A compra de imóvel em compropriedade permite que duas ou mais pessoas adquiram conjuntamente uma casa, um terreno, uma loja ou outro bem imobiliário. É uma solução comum entre casais não casados, familiares, amigos, investidores ou sócios que pretendem repartir o preço e os encargos da aquisição. No entanto, comprar em conjunto não significa que cada comprador fique automaticamente proprietário de uma divisão ou de uma parte física determinada do imóvel. Em regra, cada comproprietário adquire uma quota ideal sobre a totalidade do bem, como metade, um terço ou outra proporção definida. Por isso, o contrato promessa compra e venda deve indicar claramente quem compra, qual a quota de cada pessoa, quem paga o sinal, como será obtido o financiamento e o que acontece se um dos compradores deixar de querer ou poder concluir o negócio. Uma estrutura contratual pouco clara pode criar problemas na escritura, no crédito bancário, na utilização do imóvel e numa futura venda. O CPCV deve ser adaptado ao acordo real entre os compradores e não limitar-se a identificar vários nomes numa minuta genérica.

CPCV em nome de casal: regime de bens, consentimento do cônjuge

CPCV em nome de casal

Celebrar um CPCV em nome de casal exige mais do que identificar duas pessoas como compradores ou vendedores. O regime de bens do casamento, a titularidade do imóvel, a origem do dinheiro, a existência de crédito habitação e a necessidade de consentimento do cônjuge podem alterar quem deve assinar e quais serão os efeitos do negócio. Um erro na identificação das partes pode criar dificuldades no financiamento, na escritura ou no registo da aquisição. Se o casal estiver a vender, a falta da assinatura ou do consentimento necessário pode ainda colocar em causa o cumprimento do contrato e originar um conflito sobre o sinal. Por isso, o contrato promessa compra e venda deve indicar o estado civil de cada interveniente, o regime de bens aplicável e a qualidade em que cada pessoa assina. Não basta usar uma minuta genérica ou assumir que o casamento torna automaticamente ambos os cônjuges proprietários de todos os bens.